Como e por que o RH vai passar a usar robôs?

Cada vez mais, consumidores estão se acostumando com a experiência de serem atendidos por máquinas ou robôs. Desde a criação dos caixas eletrônicos nos bancos, que passaram para canais de autoatendimento em lanchonetes e supermercados, até os chatbots disponíveis em aplicativos de mensagens e sites de diversas empresas. Isso porque o mundo corporativo está atraído pela ideia de reduzir custos e aumentar a produtividade com a substituição humana para algumas funções.

Mais recentemente, o olhar passou para dentro das companhias e o novo recurso está chegando ao departamento de recursos humanos, com objetivo de trazer os benefícios para o público interno. Tendência já prevista pelo último relatório anual sobre capital humano da Deloitte, que listou inteligência artificial, robótica e automação como vital para o RH. Nas respostas, 42% dos gestores acreditam que AI será amplamente implantada em suas organizações dentro de cinco anos.

RH e robôs

De acordo com Felipe Azevedo, Vice-Presidente da LG lugar de gente, esse tipo de tecnologia  pode atuar diretamente em atividades operacionais e repetitivas dentro do RH. “Pense, por exemplo, em um processo de admissão em que um robô lê os dados cadastrais e já os transfere para o workflow, ou em solicitação de férias com um chatbot, que consulta critérios de elegibilidade para o colaborador. Pode ser até mesmo uma inteligência que, de forma preditiva, indica o funcionário que tem mais propensão a sair da empresa e em função de que fatores”, explica Felipe.

Na prática, estamos falando de alguns serviços de RH disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana, algo realmente significativo para aumento de produtividade. No outro lado, temos ainda o fim dos trabalhos monótonos, que não exploram as soft skills. Uma forma de deixar os colaboradores livres para trabalharem e potencializarem suas outras habilidades.

A responsabilidade do gestor de RH

O vice-presidente da LG lugar de gente acredita que o RH precisa se transformar e isso envolve, de fato, uma reengenharia. Para ele, o gestor deve conhecer qual é o papel da área dentro da organização. Para isso, é preciso refletir: em quais ações vai investir tempo? E para prover quais resultados para o negócio? “O executivo de RH precisa ter clareza sobre esses pontos. Com um bom plano de ação, os robôs podem ser implementados gradativamente e as funções das pessoas ajustadas para atividades que agregam mais valor e usam melhor o tempo”, complementa Felipe.

A expectativa é de que a tecnologia melhore a vida dos humanos, mas isso depende de como o gestor vai utilizar desses recursos a favor de sua área. Para Felipe Azevedo, os androides são muito eficazes para apoiar a tomada de decisão sobre pessoas. “Porém, pelo menos no curto prazo, não acredito que ferramentas desse tipo serão as responsáveis por importantes vereditos. Afinal, para isso, é necessário avaliar o contexto e fatores internos e externos, que nem sempre são exatos. Então, essa responsabilidade continua com o gestor”, avalia.

Do ponto de vista do colaborador

É inevitável que os robôs tomem algumas posições no mercado de trabalho. Só no Brasil, quase 16 milhões de trabalhadores serão afetados pela automação até 2030, segundo a consultoria McKinsey.

Josh Bersin, um dos responsáveis pelo estudo da Deloitte, afirma que a tendência elencada já é algo que vemos todos os dias. “As empresas estão despertando para o fato de que quase todos os trabalhos (incluindo RH) estão sendo afetados pela IA. Porém, há também uma grande variedade de novos empregos sendo criados, não estamos falando de eliminar cargos, mas sim de acabar com o trabalho de rotina, o que, por sua vez, também cria novas necessidades”, comenta o especialista.

Para Felipe, o profissional de RH precisa focar na habilidade de aprender e estar cada vez mais pronto para a mudança. A medida em que atividades operacionais passem a ser realizadas por robôs, mais tempo o colaborador terá para ajudar o negócio e os líderes na gestão de pessoas focada em resultados. “O lado negativo só vai existir para quem está na zona de conforto e não consegue se adaptar ao novo cenário”, conclui.

Fonte: LG Lugar de Gente

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